Foto Jorge Fernández Salas / Unsplash
Viver em la Barceloneta, Barcelona
O antigo bairro de pescadores, espremido entre o porto e a praia. Ruas estreitas, varandas com roupa estendida, e um mar de turistas no verão.
A Barceloneta nasce como bairro militar-marítimo no século XVIII, sobre um triângulo de terra ganho ao mar. Durante dois séculos foi um bairro operário, de pescadores e estivadores, com uma vida de rua intensa e edifícios de seis pisos virados para becos com cinco metros de largura. Desde que as Olimpíadas de 1992 abriram a praia ao público, mudou profundamente.
Quem vive aqui
Uma população residente histórica idosa, ainda forte. As gerações novas da mesma família que ficam, porque é difícil sair da Barceloneta uma vez lá dentro. Uma franja de expatriados atraídos pelo mar à mão. Muitos arrendamentos turísticos curtos, embora o aperto municipal esteja a mudar lentamente a mistura.
Como é de dia
No verão o bairro está invadido. Milhares de pessoas atravessam as suas ruas para ir à praia, e os residentes vivem essa pressão como um cerco quotidiano. Os protestos "Tourists go home" nasceram aqui. No inverno tudo muda: o bairro volta à sua dimensão, com os idosos nos bancs das praças, as crianças a brincar na rua, a roupa pendurada nas janelas. A praia é alcançável a pé em cinco minutos de qualquer ponto. Há a marina, o W Hotel em forma de vela, e o velho mercado da Barceloneta.
Como é a noite
No verão os locais da praia estão cheios até tarde. O bairro em si é menos barulhento, com pequenos bares de vinho, bodegas tradicionais, algum restaurante de peixe. A movida de discoteca deslocou-se para outros sítios depois das normas anti-ruído. À noite, fora de época, é calmo.
Mover-se
A paragem de metro é Barceloneta (L4). A pé ao Born em dez minutos, ao Gòtic em quinze. A bicicleta é o melhor meio ao longo da marginal. Todos os autocarros que chegam ao porto.
Comer e fazer compras
O Mercat de la Barceloneta é a espinha dorsal das compras, embora reduzido em relação ao passado. Algum supermercado pequeno. A cozinha de peixe é a especialidade: das paellas turísticas da marginal aos restaurantes mais sérios nas ruas interiores, onde ainda cozinham com o que o barco do dia trouxe.
Quando NÃO o escolher
Se não suportas a multidão turística, se te incomodam as expectativas sobre quanto ruído é aceitável em pleno verão. Se procuras apartamentos largos, queres estacionamento, precisas de espaços grandes para trabalhar em casa. Se esperas uma cena gastronómica internacional refinada, não a encontras aqui — o bairro continua muito catalão em sabores e ritmos.
A Barceloneta é para quem quer o mar como dimensão quotidiana e tem paciência para tudo o resto.