Viver em Penha de França, Lisboa
Uma das colinas mais altas de Lisboa, atrás de Arroios. Bairro popular em transformação, vistas incríveis sobre o Tejo, preços ainda moderados mas a subir.
História e identidade
Penha de França deve o nome ao santuário da Nossa Senhora da Penha de França, fundado em 1597 no cimo da colina como agradecimento por uma livrança no mar. Durante séculos a colina manteve-se semi-rural, com conventos (Convento da Penha de França) e pequenas propriedades. Entre o final do século XIX e o início do XX, com a expansão de Lisboa, a zona tornou-se bairro popular-operário, com casas baixas de dois-três andares, ruas estreitas, vida de vizinhança. Anexada à cidade por fases, é hoje uma das freguesias mais densas de Lisboa. Nos últimos 10 anos a gentrificação que atingiu Arroios e Graça está lentamente a estender-se aqui — bares novos, restaurantes, alguma reabilitação — mas o coração mantém-se popular-português.
O que esperar
Casas de dois a quatro andares com escadas estreitas e íngremes, praças escondidas, ruas com vistas que se abrem inesperadamente. Lojas históricas (padarias, drogarias, bares), paróquias activas, mercados. A população é uma mistura entre famílias históricas portuguesas, uma grande comunidade cabo-verdiana de longa data (Penha de França tem uma das maiores presenças afro-portuguesas da cidade), brasileiros, do Leste europeu, e uma nova vaga de jovens profissionais e expatriados atraídos pelos preços ainda mais moderados do que Graça ou Arroios. Vida de rua real, sem turismo de massas.
Transportes
Metro Linha Verde (Alameda, Areeiro). Eléctrico 28 nos limites sul. Autocarros 706, 712, 717, 728, 734. As subidas íngremes tornam a bicicleta exigente; muitas escadas e elevadores públicos (Elevador da Penha de França) ajudam. Centro a 15 minutos de metro ou eléctrico. Aeroporto a 12 minutos.
O que fazer no bairro
Miradouro da Penha de França — um dos panoramas mais belos e menos turísticos de Lisboa, vista de 270° sobre a cidade e o Tejo. Igreja da Penha de França do século XVI, restaurada. Convento da Penha de França (em restauro). Jardim Cesário Verde, parque com vista. Largo do Outeirinho da Amendoeira, praceta histórica. Mercado de Sapadores (ver guia Beato). Trilho do Caminho do Penha para Graça e Mouraria. Bares históricos como Tasca da Esquina, restaurantes cabo-verdianos e portugueses. Nos limites sul (com Arroios) está a nascer uma pequena cena de cocktail bars novos.
Para quem é ideal
Jovens profissionais, casais, famílias jovens que procuram preços mais moderados do que Graça/Arroios com uma vista incrível, expatriados atraídos pela atmosfera popular-portuguesa real. Trabalhadores do centro que querem estar a pé/de eléctrico do trabalho. Menos indicado para quem tem problemas com subidas, quem procura bairros aprumados, quem quer vida nocturna intensa.