Barcelona·Mudar de cidade
MACBA, museu de arte contemporânea de Barcelona no Raval

Foto Mike Hindle / Unsplash

Viver em el Raval, Barcelona

Multiétnico, áspero, sempre em transformação. O Raval é o bairro mais contrastado de Barcelona, e para alguns é precisamente por isso o mais interessante.

O Raval é a metade oeste de Ciutat Vella, do outro lado das Ramblas. Foi sempre o bairro mais pobre do centro, habitado por operários, marinheiros, imigrantes e classes sociais que o resto da cidade mantinha à margem. Nos últimos vinte anos mudou muito: o museu MACBA, a Universidade de Barcelona próxima, as novas ramblas abertas deitando abaixo quarteirões inteiros, trouxeram gentrificação e atenção. Mas o Raval continua a ser o Raval.

O que é El Raval

É o bairro mais multiétnico de Barcelona. Diz-se que estão representadas mais de cinquenta nacionalidades. Os Filipinos, os Paquistanos, as chegadas mais recentes do Bangladesh, África subsariana, Marrocos: cada um deixou as suas lojas, mesquitas, sabores. Caminhas três quarteirões e mudas de continente.

Quem vive aqui

Uma franja de residentes históricos — idosos espanhóis e imigrantes de primeira geração — ainda forte, sobretudo na metade sul do bairro (em direcção a Drassanes). Uma franja de estudantes universitários, porque a universidade está à esquina. Uma franja de expatriados criativos com orçamento médio-baixo, atraídos pelos preços mais contidos do centro e pelo carácter boémio. As famílias são poucas mas em aumento na metade norte, perto do MACBA.

Como é de dia

Vivo, ruidoso, nunca elegante. Bares a toda a hora, gente sentada na praça a falar, crianças a brincar entre os skaters em frente ao MACBA. A Rambla del Raval — uma avenida larga aberta nos anos 90 deitando abaixo cinco quarteirões — é um dos principais pontos de encontro. A Filmoteca de Catalunya, o CCCB, as livrarias, os pequenos teatros independentes fazem parte do tecido. Lojas étnicas para qualquer coisa: roupa, especiarias, telecomunicações, comida halal.

Como é a noite

Noite viva mas mais áspera do que noutros lados. Bares económicos, cocktail bars de nova geração ao longo da Carrer de Joaquín Costa, locais para concertos pequenos (Marula Café, Robadors 23). Em direcção à metade sul, na direcção do porto, ainda há zonas onde à noite é melhor não andar sozinho — a prostituição de rua e o tráfico não desapareceram de todo, embora muito reduzidos em relação a há dez anos.

Mover-se

As paragens de metro são Liceu (L3) do lado das Ramblas, Sant Antoni (L2) do lado oeste, Universitat (L1, L2) a norte, Drassanes (L3) a sul. Todo o bairro se faz a pé. Bike-sharing bem distribuído. As ruas principais (Carrer del Carme, Carrer Hospital) são pedonais ou quase.

Comer e fazer compras

Uma das melhores zonas de Barcelona para comer cozinha internacional barata: paquistanesa, indiana, marroquina, dominicana, filipina, tudo a preços honestos. Cozinha catalã de qualidade há mas tem de ser procurada (Ca l'Estevet é uma instituição). Para compras diárias há várias pequenas mercearias de imigrantes abertas até tarde, e o Mercat de Sant Antoni (mesmo fora, no bairro homónimo) para fresco.

Quando NÃO o escolher

Se precisas de silêncio, ordem, sensação absoluta de segurança. Se vives mal em ambientes muito estratificados socialmente. Se esperas o "centro histórico de postal" e te irrita ver um bairro real, com os seus problemas sociais ainda em aberto. A parte sul em direcção a Drassanes tem episódios de microcriminalidade — carteiristas, furtos — mais frequentes do que noutras zonas.

Se em vez disso gostas da ideia de viver num bairro que muda enquanto lá habitas, de comer um thali completo por 8 € e de ouvir cinco línguas numa semana, o Raval pode ser um dos sítios mais estimulantes da cidade.

Encontra um quarto em el Raval