Viver em Bois-Blancs, Lille

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O bairro-ilha de Lille - rodeado pelos canais do Deûle em três lados. Identidade mista: património pós-industrial, o polo tecnológico Euratechnologies, a requalificação gradual e um forte carácter ribeirinho.

Bois-Blancs é o bairro situado numa quase-ilha de terra entre dois ramos do canal do Deûle, na parte ocidental de Lille - delimitado pela Pont Royal e pelo Canal do Deûle a norte e a leste, e pelo corte do Bras de la Barre a sul e a oeste. A geografia invulgar faz com que Bois-Blancs esteja ligado ao resto de Lille apenas por um punhado de pontes, o que lhe confere um carácter insular distinto e uma sensação ligeiramente isolada - os residentes falam em "sair da ilha" para dizer que vão ao centro. O nome (literalmente "bosques brancos") refere-se aos salgueiros e choupos que outrora ladeavam os canais, antes da expansão industrial do século XIX.

História e identidade

O bairro desenvolveu-se no século XIX em torno do tráfego fluvial - barcaças, portos, estaleiros e pequena indústria. Fábricas têxteis, metalúrgicas e químicas espalharam-se pela extremidade sul. Habitação operária em tijolo encheu as ruas. O declínio industrial do final do século XX deixou uma paisagem de fábricas abandonadas, habitação degradada e terrenos contaminados. A viragem chegou em 2009, com a abertura da Euratechnologies - um grande polo de negócios tecnológicos e digitais instalado na antiga fábrica têxtil Le Blan Lafont, no extremo ocidental do bairro, que hoje acolhe centenas de startups, escolas de programação e formação tecnológica, grandes empresas de tecnologia (entre elas a Microsoft), vários fundos de capital de risco e uma forte comunidade tecnológica. O bairro encontra-se agora em transição, com novos empreendimentos residenciais ao longo do canal, uma gentrificação gradual e uma camada de população operária que continua a marcar as ruas mais antigas.

O que esperar

Um bairro em movimento. Famílias operárias de longa data nas ruas antigas de tijolo, recém-chegados de classe média nos novos apartamentos junto ao canal, trabalhadores do setor tecnológico que se deslocam diariamente para a Euratechnologies, e uma mistura de famílias imigrantes (magrebinas, subsaarianas, portuguesas) instaladas aqui há décadas. Os alojamentos são variados: pequenos edifícios de tijolo com dois a três pisos nas ruas antigas, blocos maiores de habitação social dos anos 70 na extremidade leste e um número crescente de novos empreendimentos junto ao canal, com varandas e vista sobre o Deûle. A qualidade varia muito - escolha pelo quarteirão e pela proximidade do canal. Algumas ruas perto dos antigos locais fabris ainda parecem por urbanizar.

Transportes

A linha 2 do metro para em Bois-Blancs, no centro do bairro, e em Canteleu - Euratechnologies, no lado ocidental, junto ao polo tecnológico, ambas a cerca de 10 minutos da Grand Place. Os autocarros 12 e 18 atravessam o bairro. A pé, até ao centro, pela Pont Royal e pelo Boulevard de la Moselle, são 20 a 25 minutos. Andar de bicicleta ao longo dos caminhos de sirga do canal é um dos passeios mais agradáveis de Lille - plano, contínuo e protegido do trânsito - e o polo Euratechnologies fica a 5 minutos de bicicleta. O parque da Citadelle fica a 10 minutos a pé, atravessando a ponte. Os dois ramos do canal definem a geografia do quotidiano: muitos residentes identificam-se fortemente com um lado ou com o outro.

O que fazer

Os caminhos de sirga são o principal espaço exterior do bairro - caminhada, ciclismo, pesca, caiaque. O campus da Euratechnologies organiza eventos públicos, conferências e um dia aberto anual. O parque Marbrerie (tecnicamente já fora do limite) e os espaços verdes ao longo do canal oferecem respiro. O pequeno comércio é limitado - padarias, talhos e alguns cafés na Avenue de la République e na Rue de l'Ouest - e a maioria dos residentes faz compras no centro ou em grandes supermercados na periferia do bairro. Os restaurantes concentram-se em torno do polo Euratechnologies e ao longo da Avenue Marx Dormoy; a oferta de bares é reduzida. Os festivais anuais da Métropole de Lille ocasionalmente trazem eventos às margens do canal.

Indicado para

Trabalhadores tecnológicos sediados na Euratechnologies, jovens casais que compram o primeiro apartamento, pessoas que valorizam a vida junto ao canal e não se importam com a geografia ligeiramente desligada da ilha. Bois-Blancs é adequado a quem trabalha na metade ocidental da área metropolitana, a quem quer deslocações de bicicleta planas e a quem se sente confortável num bairro em transição ativa. Os novos apartamentos junto ao canal oferecem espaço e luz que não existem no centro a preços comparáveis. É menos indicado para quem procura um bairro totalmente consolidado, com vida comercial intensa e atividade de rua - Bois-Blancs está a melhorar, mas ainda tem lacunas em lojas, restaurantes e vida noturna. Algumas ruas mais antigas continuam a sofrer o legado pós-industrial e parecem degradadas. A geografia insular significa que deslocar-se para leste, em direção ao centro e para além dele, implica atravessar uma das pontes - uma limitação diária. Escolha pela proximidade do canal e pelo quarteirão.

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